Setembro amarelo: o alerta começa com as crianças, os adolescentes e toda a família

O mês de setembro tem uma campanha mundial para conscientizar a população sobre a realidade do suicídio e mostrar que existe prevenção em mais de 90% dos casos, segundo a Organização Mundial da Saúde. O movimento do Setembro Amarelo conta, cada vez mais, com a adesão de pessoas, empresas e instituições públicas, através da iluminação de monumentos e pontos de referência das cidades, divulgação do símbolo da campanha, colocação de faixas com o laço amarelo e compartilhamento de informações para que se fale abertamente sobre o tema, inclusive suas redes sociais.

O suicídio é considerado um problema de saúde pública, vitimando um brasileiro a cada 45 minutos e uma pessoa, em todo o mundo, a cada 45 segundos, número superior ao de muitas doenças, como a maioria dos tipos de câncer. O assunto ainda é tratado como tabu, o que contribui para o aumento de casos, pois as pessoas muitas vezes não sabem que podem procurar ajuda. Existe um importante trabalho do Centro de Valorização da Vida (CVV), uma entidade sem fins lucrativos que atua gratuitamente na prevenção do suicídio desde 1962. Mas é preciso fazer mais e isso deve começar em casa, desde cedo.

Por isso, a Sociedade de Pediatria de Pernambuco entrou na campanha do Setembro Amarelo com ênfase no cuidado com as crianças, especialmente no que diz respeito ao envolvimento cada vez maior com a informática. “A família é o principal fator de proteção de crianças e adolescentes. Com diálogo em casa e educação digital é possível haver um equilíbrio no uso dos diversos equipamentos”, afirma o presidente da Sociedade de Pediatria de Pernambuco (Sopepe), Eduardo Jorge Fonseca, fazendo um alerta à interação dos jogos online com pessoas desconhecidas ou os chamados jogos perigosos, aqueles que empregam desafios aos competidores, alguns que têm levado ao suicídio, com casos investigados e confirmados.

A pediatra Betinha Fernandes, médica do adolescente e psicoterapeuta de base psicanalítica, explica que o alerta é para pais, educadores e toda a sociedade, para que redobrem a vigilância, evitando consequências graves, por se tratar de uma questão multifatorial. “As causas são multifatoriais, desde a predisposição genética até o ambiente opressor, com exigência de agenda como se já fossem adultos. A falta de diálogo na família, uso inadequado de informática – onde o adolescente pode encontrar redes sociais cujos componentes podem ter sintomas semelhantes e até páginas onde existem informações para induzir a jogos perigosos. É preciso combater a dependência da informática, que é uma patologia já catalogada (CID 11), com atenção para uma eventual crise de abstinência”, explica a especialista.

O tempo excessivo é um sinal de que outros problemas podem surgir, tanto do ponto de vista do comportamento, mas também fisiológico, gerando problemas na visão e transtorno do sono, que é outro sinal de alerta sobre mudança de comportamento e de que algo pode não estar bem com a criança ou o adolescente. “As escolas devem incluir a repercussão no cérebro do uso da tecnologia sem controle como um alerta. Os sinais existem e devem ser valorizados como prevenção de problemas maiores”, completa Betinha.

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